quinta-feira, 20 de abril de 2017

Um rio de sentidos


1 comentário:

  1. Num qualquer Domingo soalheiro de um agradável mês de Junho, num certo ano do início do Século XXI, na encantadora cidade de Lisboa, em Portugal, na Europa:
    "Vamos dar um passeio à beira-rio, Margarida?"
    "Boa ideia, Henrique. Vamos no meu ou no teu?"
    "Haha. Nada disso. Cada um leva a sua."
    "Entendi-te. É sempre a descer. O pior vai ser no regresso. Mas bora lá. Hoje sinto-me com energia. E a brisa do rio dá uma ajuda, se for preciso."
    Como não era possível irem de mãos dadas, e a premência do contacto físico, na sua idade e estado de enamoramento assim o exigiam, de vinte em vinte metros paravam as bicicletas e uniam as bocas, num longo, doce e molhado beijo, ao mesmo tempo que se tocavam, apertando o braço um do outro.
    Ao fim de, sensivelmente, dez paragens, forçadas pela tal urgência de partilha corporal, Henrique atreveu-se "Quando chegarmos ao cais das colunas, largamos as bikes e vamos estender-nos na rampa, com as ondinhas do rio a fazerem-nos cócegas nos pés. Damos um abraço tão apertado que ficamos transformados num só. E fazemos amor, ali mesmo, sem que ninguém dê por isso. Parece-te bem?"
    "Lindamente" respondeu Margarida com um risinho nervoso. E, logo de seguida, já com três pedaladas e dois metros de avanço "O último a chegar, paga o gelado na "Suíça" ao fim da tarde!

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